
[Varejo]
Pare, pense e me diga se já passou por essa situação: você já se viu em um passeio corriqueiro e eis que uma vitrine chama a atenção de seu olhar. Você, mesmo sem entender bem o motivo ou estar pensando em comprar algo naquela loja, acaba por parar, olhar e, ainda sem intenção alguma de comprar, se sente irresistivelmente tentado a entrar na loja, só para ver o que há de interessante lá?
Lembrou?
Fato é que, segundo pesquisas recentes de órgãos como o SEBRAE, a vitrine por si só chega a alavancar em até 80% as vendas de um ponto comercial. Sim, você leu certo, o número mágico é 80%!!!! (Lembre-se desse número.)
Pois bem, agora as perguntas que devem estar martelando sua cabeça são: porque isso acontece e como eu faço isso?
Se pensarmos bem, a vitrine externa tem uma característica bastante singular em um ponto comercial. É ela que diz: “Psiu! Ei, você! É você mesmo. Olha só o que eu tenho pra te oferecer. E é só um aperitivo… entre e veja o que mais tenho a sua disposição.”
Com isso podemos afirmar que a vitrine é a porta de entrada da loja, não a física, mas a emocional. Ela é a isca especial para fisgar o consumidor, o estímulo necessário para que ele tome a decisão que todo lojista quer: entre no salão comercial e compre algo. E não se iluda, todos somos persuadidos a parar diante de uma vitrine bem trabalhada, aquela que carinhosamente chamo de Vitrine Irresistível (essa, nem eu com toda minha experiência e conhecimento, resisto).
E o que transforma uma simples vitrine em uma Vitrine Irresistível?
Basicamente, um bom Projeto de Arquitetura e Design de Varejo, com uma vitrine corretamente dimensionada e equipada, que permita o uso das duas outras ferramentas essenciais a uma vitrine: o marketing visual e os gatilhos mentais, dispostos em uma cenografia que contempla muito mais que a necessidade de exposição de um produto. Em uma vitrine há muito a ser dito e a forma como é dito é a chave de todo o processo.
Por isso, para você que é vitrinista, lojista, arquiteto e designer de varejo ou apenas um consumidor curioso, aqui vão as 5 cartas na manga da Vitrine Irresistível:
#1 – Tema
Meio óbvio? Nem tanto…
Você sabia que toda loja é movida por temas? Seja ela de qual nicho for: sapatos, roupas, informática, carros ou barcos, sempre existirá uma variação de motivos que conferem à loja dinamismo para estabelecer várias conversas diferentes com o consumidor. Por isso o tema é o norte de uma vitrine, a sua motivação inicial. Ele está diretamente ligado com as campanhas publicitárias da marca e pode variar entre coleções, estações do ano, datas comemorativas, eventos culturais, campanhas sociais, a própria marca em si assim como qualquer outro que possibilite um diálogo instigante com o público. Já deu para perceber que um único tema, inclusive, pode vir a ser comum à maioria das vitrines, certo?! Portanto, ele é uma definição inicial fundamental para satisfazer uma necessidade particular da marca ou geral do mercado consumidor.

#2 – Objetivo
Como assim? O objetivo da vitrine não é vender um produto?
Não necessariamente. Muito além das óbvias promoções de troca de coleções, liquidações e saldões, as vezes o objetivo de uma vitrine pode ser tão somente reforçar uma diretriz da Marca, a própria Marca, dar destaque a uma ideia, problematizar um tema, gerar discussão, enfim, tudo que venha a provocar e instigar o consumidor ao mesmo tempo que grava o nome da Marca em sua mente. Por isso o objetivo de uma vitrine é aquilo que permanece na mente do consumidor muito após sua saída do salão comercial. Somando-se a isso a parceria com uma campanha publicitária forte, o resultado será a fidelização do seu relacionamento com a Marca.

#3 – Formas
O uso de formas como meio de promover reações psicológicas positivas nos seres humanos é um velho conhecido do marketing visual. Linhas verticais, horizontais, círculos, esferas, cubos… toda essa geometria aparentemente sem intenção esconde em si uma reação psicológica no observador, seja na logomarca, seja nas soluções de layout da loja, seja no mobiliário, seja na vitrine.
Se bem utilizadas, as formas por si só podem reforçar no observador o comportamento desejado pelo vitrinista, através do despertar de estímulos tão primitivos quanto intrínsecos a nossa existência. O uso de uma escada aberta ou fechada, de prismas, de marcações horizontais ou verticais em uma vitrine podem causar sentimentos de atração ou repulsa no consumidor. Uma vitrine com apenas uma camisa emoldurada por um suporte geométrico contrastante com o fundo pode ter um efeito muito mais atrativo que várias peças de roupa distribuídas aleatoriamente em manequins diversos.

- Fonte:Depositphoto
#4 – Cores
Está comprovado cientificamente que o fator principal para escolha de um produto é a sua cor. Também está comprovado que mais de 80% do impulso inicial de compra é dado pelo sentido da visão e que as cores têm, cada uma particularmente, um efeito psicológico emocional sobre o ser humano (o vermelho está relacionado à paixão, inspira fome, gera atenção; o verde está ligado ao natural, ao saudável e estável; o azul acalma, dá segurança, confiança… e assim por diante). Sendo assim, uma vitrine com tema, objetivo e formas claramente definidas torna imprescindível um bom uso de cores para promover no consumidor as emoções que confirmarão o diálogo visual da cenografia adotada, mesmo que a escolha seja o uso do preto e branco.

#5 – Iluminação
Ela está no final da lista mas é o item mais importante de qualquer vitrine. Já falamos que a forma e as cores são de suma importância no impacto da vitrine com o consumidor. Mas este impacto só será possível se essas formas e cores estiverem plenamente perceptíveis ao olhar. Uma vitrine bem elaborada com uma iluminação inadequada pode até funcionar, mas será como investir dinheiro em uma Ferrari para dirigir a 40Km/h – nada convidativo certo?
É a luz que sentenciará uma vitrine ao sucesso ou ao fracasso, através de definições adequadas de intensidade luminosa, posicionamento de refletores, definição de focos e, especialmente, um IRC (Indice de Reprodução de Cor) que permita a visualização correta das cores utilizadas. E porque se limitar ao suficiente se podemos causar uma emoção psicológica que faz com que o consumidor deseje ardentemente entrar em sua loja? Pois bem, é a luz é quem faz isso. (Lembra do nosso número mágico? 70% das vendas são iniciadas na vitrine.)

Juntos e bem pensados, dispostos em uma vitrine adequadamente dimensionada, esses 5 elementos são capazes de fortalecer uma Marca, gerar segurança e confiança no consumidor, alavancar as vendas e fazer da vitrine uma experiência memorável.
E olha que interessante:
Clique aqui e você vai ler uma reportagem do site O Negócio do Varejo que fala sobre A Premiação das Melhores Vitrines de Moda no Mundo.
Agora clique aqui e veja uma vitrine em Amsterdam que foi utilizada com caráter social, como campanha contra o tráfico de pessoas.
E por último clique aqui e veja uma vitrine interativa da Nike em Londres.
E, depois disso tudo, você talvez esteja pensando: “tá bom mas existem lojas sem vitrines. E aí?”
Bem, eu te respondo com uma pergunta: tem certeza? (Conversaremos sobre isso em outro momento.)
Agora me diga nos comentários se na sua história de vida você alguma vez falou (ou teve vontade de falar) com alguém: “Você já viu aquela vitrine?”.
Como foi essa experiência?
Um abraço e até a próxima!
A Ruiva
